5 de out de 2013

Qual é a realidade da ginástica brasileira?

Sasaki desce da barra durante apresentação válida pela final do individual geral
Sasaki desce da barra durante apresentação válida pela final do individual geral
A expectativa de que a realização dos Jogos Olímpicos de 2016 tornasse o esporte mais organizado no Brasil praticamente não existe mais. Com as exceções do vôlei e do judô – que são muito praticados na base, têm clubes fortes e federações investindo pesado no alto nível – todas as outras modalidades chegarão a 2016 na base que sempre sustentou o esporte brasileiro: um sujeito diferenciado, com uma família e/ou técnico prontos a abrir mão de muita coisa para sustentar uma carreira que pode ou não ter sucesso. Lembremos aqui que, no diagnóstico de César Cielo, até a natação piorou nos últimos anos.
Alguns avaliam que a ginástica artística poderia ser um terceiro esporte de verdadeiro alto nível no Brasil. A formação da seleção feminina para o Mundial da Bélgica, que acaba no fim de semana, foi um choque, no entanto. Apenas duas atletas estão na competição: Daniele Hypolito e Letícia Costa. A CBG afirma que o hiato na equipe feminina foi provocado por uma combinação de lesões e juventude demasiada de algumas atletas, que estarão maduras em alguns anos. Reportagem do Estadão avalia, aparentemente de forma correta, que a crise se trata de uma falta de renovação e que a classificação por equipes para o Mundial de 2015 está ameaçada.
A boa notícia para CBG é a equipe masculina. Sergio Sasaki conseguiu um histórico 5º lugar no individual geral e neste fim de semana atletas brasileiros disputam outras finais. No sábado, competem o campeão olímpico Arthur Zanetti (argolas) e o bicampeão mundial Diego Hypolito (solo). No domingo, no salto, Hypolito e Sasaki estão na decisão do salto.
Sem dúvida, é um crescimento importante, mas não pode escapar às observações que esses esportistas não são fruto do esporte brasileiro. São resultado deles mesmos e de suas famílias e treinadores. Zanetti começou a carreira com o apoio do pai, Arquimedes, que precisava fabricar as argolas para seu filho competir. Já campeão olímpico, Zanetti alertou para a situação precária do local onde treina, em São Caetano do Sul (SP), e disse que cogitava competir por outro país em 2016. Omesmo cogitou Sasaki que, assim como Diego Hypolito, passou um tempo sem clube quando o Flamengo fechou suas portas alegando falta de incentivo para manter a equipe olímpica.
É bastante provável que o time masculino e, talvez, as revelações femininas, brilhem nos próximos anos e até mesmo no Rio de Janeiro-2016. Será, no entanto, um golpe de sorte para o Brasil, um acaso como foram Joaquim Cruz, Rogério Sampaio, Robert Scheidt e tantos outros, e não fruto da profissionalização da ginástica artística nacional.
Foto: Martin Bureau / AFP
31 anos, jornalista. Defende a troca do "Ordem e Progresso" pelo #infelizmentenãodeu. 
Twitter: @zeantoniolima 

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