22 de jul de 2012

Fofão:. Experiência olímpica pode atrapalhar seleção de vôlei

Ela não foi para Londres com a seleção feminina de vôlei, mas essa não é uma grande frustração para Fofão. A melhor levantadora das Olimpíadas de Pequim-2008 optou por não retornar à seleção e, consequentemente, ficar ausente dos Jogos de 2012, apesar das tentativas do treinador Zé Roberto para que ela estivesse na equipe.
Agora, Dani Lins e Fernandinha precisarão defender o Brasil e, para Fofão, a falta de experiência das duas jogadoras em Olimpíadas pode fazer a diferença na competição.
- São duas levantadoras cujo o único problema é que essa é a primeira experiência olímpica das duas. Acho que elas vão ter que trabalhar muito o conjunto, se unir muito, que eu acho muito importante para elas terem segurança, tranquilidade para trabalhar.
Mas acho que as duas vão conseguir fazer um bom trabalho, jogar o melhor que elas sabem e tenho certeza que o grupo vai dar muito apoio - afirmou Fofão durante sua participação no "Tá na Área na Web".
Ela não diz isso sem fundamento. Ao todo, Fofão participou de cinco Jogos Olímpicos durante os 17 anos que defendeu a seleção brasileira (Barcelona-1992, Atlanta-1996, Sydney-2000, Atenas-2004, Pequim-2008).
Nesse tempo, disputou de 340 jogos com a camisa amarela e conquistou três medalhas olímpicas (ouro em 2008 e bronze em 1996 e 2000). Para ela, sua carreira foi além do esperado e deixar a seleção não a abalou.
- Foi a coisa mais tranquila que eu fiz. Lógico que foi difícil porque é uma emoção muito forte vestir a camisa do Brasil, mas eu saí satisfeita por tudo que eu fiz.
Acho que cheguei até mais longe do que eu imaginava para minha carreira.
Então, quando você termina da maneira como eu terminei, tendo sido a melhor e com a medalha de ouro, não tem como não dizer: "Missão cumprida, valeu tudo o que eu fiz. Agora eu passo meu bastão para frente".
Com a renovação, Fofão só teme pelo foco da equipe em Londres. Para ela, estar próximo dos melhores atletas do mundo causa um deslumbramento e as jogadoras precisam se concentrar nas partidas.

- Se o atleta sai do Brasil focado em buscar a medalha olímpica, ele tem um comportamento dentro da vila, se ele vai para conhecer, passear, o comportamento é diferente.
Porque lá é um deslumbramento, você vê os melhores atletas do mundo, senta no refeitório e de repente o cara do tênis está do seu lado. Na minha primeira, tive que me controlar porque o grupo era muito sério.
Então, de tarde quando todo mundo dormia, eu ia no refeitório para ver se era de verdade que eu estava lá. E em uma dessas "escapadas", Fofão revela que teve seu momento de fã. - Fui um dia andar e estava o time todo da NBA (o Dream Team dos EUA de basquete) dentro de uma sala de vidro em 1992. Acho que todo mundo faria isso. Foi muito emocionante. Quando você vai pela primeira vez é muito complicado. O que a gente fez em 2008 foi uma coisa muito interessante.
O Zé (Roberto) deixou um dia para a gente conhecer tudo, depois acabou, já começamos a pensar no treino. Você tem que focar, acho que vale muito de quem já tem uma experiência olímpica para não deixar que isso atrapalhe o grupo.
Aos 42 anos e recém-contratada pelo time do Rio de Janeiro, Fofão ainda não pensa em parar. Para ela essa será uma decisão muito natural e por isso ainda não tem planos sobre o que fazer depois de deixar as quadras.
Mas de uma coisa tem certeza, pretende passar para outras pessoas tudo que aprendeu durante sua carreira.
- Não vou pensar em parar porque ainda gosto muito do que faço e ainda tenho condições de estar em alto nível. Isso me conforta bastante. Acho que vou parar no dia que estiver acordando e falar: "Hoje eu não vou treinar".
Vai ser o dia que eu vou ligar e falar que não dá mais. Mas não planejo nada, vou deixar as coisas acontecerem, o que tiver que ser, vai ser.
Quero estar envolvida com o vôlei. Tem algumas coisas que gostaria de fazer, não quero guardar as minhas experiências só para mim.

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