26 de ago de 2014

Nossa líbero Camila Brait quase desistiu do vôlei por ser baixinha.


Dani Lins, Fabiana, Fernanda Garay, Jaqueline, Sheilla e Thaísa, titulares do vôlei feminino do Brasil na conquista do Grand Prix desta temporada, são remanescentes da seleção que havia obtido o ouro olímpico em Londres-2012. A formação principal do técnico José Roberto Guimarães teve apenas uma mudança em dois anos: a líbero Fabi, que se aposentou da equipe nacional em junho de 2014, deu lugar a Camila Brait, 25. Essa alteração só foi possível, porém, por uma mudança drástica de opinião da nova dona da posição. Ela queria ser atacante quando era mais nova, mas ficou sem espaço por ter apenas 1,70m. Para não se limitar à defesa, Brait chegou a largar o esporte por dois anos.

"Gostava de atacar. No começo eu odiava ser líbero", admitiu a nova titular da posição em 2013, em entrevista ao site "Paratleta Brasil". "Todos os técnicos diziam que eu não tinha altura para jogar em outra posição, mas eu não gostava mesmo de só defender. Queria fazer o mesmo que outras jogadoras, e não cuidar de um fundamento só. Eu cheguei até a parar de jogar por um tempo", completou Brait.

A líbero voltou às quadras por insistência de uma técnica. Camila Brait chegou a tentar jogar como levantadora na base, mas todos os treinadores identificavam a defesa como grande virtude dela: "Vi que a líbero tem papel muito importante na equipe, entendi alguns fundamentos e resolvi me dedicar".

A dedicação mudou rapidamente a vida de Brait. Aos 15 anos, a líbero nascida em Frutal-MG se mudou para Uberlândia. Passou depois por São Caetano, e em 2008 foi contratada pelo tradicional Molico/Osasco, time que ela defende até hoje.

A trajetória de Brait também foi precoce na seleção brasileira. Com passagem por equipes de base, chegou ao time principal em 2009. Foi preparada durante anos para substituir Fabi, líbero titular do país por 13 temporadas, e se tornou favorita a estar na quadra durante os Jogos Olímpicos de 2016, que serão realizados no Rio de Janeiro.

No começo de junho, quando começou a montar o time que disputaria o Grand Prix, José Roberto Guimarães chegou a consultar Fabi. Ouviu da líbero titular que ela não pretendia seguir na seleção – ela estreou neste ano como comentarista da TV Globo.

Fabi oficializou no dia 13 de junho a aposentadoria da seleção brasileira. Entre as explicações para isso, a líbero incluiu a própria Brait, que teria chance de disputar o Mundial de 2014 como titular antes de representar o país nos Jogos Olímpicos de 2016.

"Foi uma decisão muito difícil. Pensei nisso durante todo o ano passado e até este momento. Refleti sobre o que eu já tinha feito na seleção brasileira. A minha relação com a seleção foi o melhor casamento que poderia acontecer. Tivemos dois filhos, que foram duas medalhas olímpicas, e procurei sair desse casamento com muita lucidez, estando consciente de que foi bacana, que deu tudo certo e que eu fiz tudo que tinha para fazer. Contribuí da melhor maneira possível e deixo uma história bacana. A minha missão foi cumprida", avaliou Fabi na época.

José Roberto Guimarães esteve ao lado da titular durante a entrevista de despedida. "Sempre houve uma disputa forte entre as duas [Camila Brait e Fabi]. Camila se preparou desde 2009, aprendendo muito com a Fabi. Elas se alternaram em determinados períodos nos campeonatos. A oportunidade aparece em dois momentos: numa crise e quando é o momento certo. Agora é a hora dela. Vai assumir um time que é bicampeão olímpico, vai ser bastante cobrada e espero que emocionalmente tenha se preparado para isso", avisou o comandante.

A primeira mudança evidente com a troca de líbero foi de perfil. Camila Brait é notadamente tímida – ao contrário de Fabi, que era a mais expansiva do grupo. Nos primeiros treinos depois da alteração, José Roberto Guimarães chegou a cobrar que a nova dona da posição gritasse e falasse mais com as companheiras.

Brait não é reservada apenas na quadra. A despeito de ter alcançado status de musa e de ter recebido até pedidos de casamento de torcedores, a líbero fala pouco sobre a vida pessoal. Ela é casada desde 2013.

No Grand Prix, o Brasil teve desempenho irregular no passe em alguns momentos – sobretudo na derrota para a Turquia, a única da seleção no torneio. Camila Brait não foi incluída na equipe ideal da competição. A japonesa Yuko Sano, vice-campeã, foi eleita melhor da função e ainda ficou com o título de melhor jogadora.


O próximo desafio de Brait como titular do Brasil será o Mundial de vôlei feminino, que será disputado na Itália. A seleção sul-americana estreia no dia 23 de setembro, contra a Bulgária, em Trieste.

Esse ciclo é fundamental para a líbero superar uma frustração. Em 2012, Camila Brait foi cortada dos Jogos Olímpicos em cima da hora. José Roberto Guimarães preferiu levar a ponteira Natália, que havia acabado de se recuperar de lesão.

"É um recomeço para mim. Sabia que seria muito difícil ficar no time, da disputa que seria lá [em Londres] por um lugar na seleção. Estou muito feliz por ter voltado", disse Brait ao jornal "Folha de S.Paulo" um ano depois dos Jogos Olímpicos.

O elenco que o Brasil levará ao Mundial terá uma série de novatas entre as reservas. No time titular, Brait será a menos experiente. Mas para quem superou até a rejeição inicial à função, vencer a falta de rodagem na competição parece um desafio cada vez menor.




























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