31 de ago de 2014

Brasil tem "joia" a ser lapidada e gigante como novas esperanças no vôlei

Gigante Renan, de 2,17m, ao lado do levantador Raphael, de 1,90 m
Força sempre respeitada no cenário internacional, o Brasil inicia em Katowice (Polônia) a tentativa de um inédito tetracampeonato mundial de vôlei, nesta segunda-feira, às 8h (com Placar UOL Esporte), contra a Alemanha, com uma equipe que mescla a experiência das conquistas e a expectativa pelo futuro de uma nova geração.

A equipe está bem modificada em relação à que foi campeã mundial, pela última vez. Apenas seis dos 14 vencedores em 2010 na Itália estão no grupo agora (Bruninho, Lucão, Sidão, Leandro Vissotto, Mário Júnior e Murilo), o que significa uma renovação de 57% do elenco. Do primeiro título mundial da era de Bernardinho, não há mais ninguém. Em relação ao time do bi, em 2006, apenas Murilo integra o elenco.  É, ao lado do capitão Bruninho, um dos que mais venceram pela equipe.

"Já estou com 33 anos e é uma idade respeitável. Hoje ajudo não só pelo lado técnico, mas também com essa função de ajudar os mais jovens em quadra", falou o ponteiro que tem em sua bagagem seis títulos da Liga e dois Mundiais, entre outros.

Entre os mais jovens a que Murilo se refere estão Ricardo Lucarelli, 22 anos, Renan, 24, o líbero reserva Felipe, de 24, e o ponteiro Mauricio, de 25.. Todos simbolizam uma nova geração que estão já sendo trabalhados para os Jogos do Rio, em 2016 e outras competições futuras.
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Spodek iluminada vista de fora Divulgação/www.rawablues.com

Destes, Lucarelli é considerado a maior "joia" do vôlei nacional. Teve passagens destacadas com títulos e premiações individuais nas seleções de base e sempre foi visto como um jovem com potencial para assumir o posto de destaque do time adulto.

Teve sua primeira chance na equipe principal ao ser convocado por Bernardino com 19 anos, em 2012. Virou titular do time com apenas 21 anos em 2013 e fez parte da seleção da Liga Mundial de 2013. De lá pra cá, não saiu mais da equipe e ganhou com a equipe nacional a Copa dos Campeões de 2013.

Lucarelli carrega um fardo difícil: substituir em sua posição nomes consagrados e que ganharam muitos títulos, como Giba e o próprio Murilo, que faz parte do atual elenco e tem ajudado com sua experiência.

Já usado bastante no time titular, Lucarelli foi o segundo melhor de sua posição na Liga Mundial de 2014. Um título de expressão como o Mundial talvez seja o que falta para carimbar de vez sua explosão como uma das referências daqui para frente. Respaldo não vai faltar.

"É a primeira vez que disputo um campeonato dessa importância. É um nível muito competitivo e sempre somos acolhidos na seleção pelos caras mais experientes, como Murilo e o Lucão, por exemplo. A pressão é sempre grande em uma equipe do nível como a seleção, ainda mais em se tratando do Brasil. Eu sempre sei da minha responsabilidade aqui dentro, mas os experientes sempre nos dão esse tipo de suporte", falou a "joia".

Outro dos nomes mais novos que fazem parte é o gigante Renan Buiatti. Com 2,17 m, ele é o maior jogador em atividade do vôlei brasileiro e o mais alto que já passou pela seleção em toda a era Bernardinho, que já dura quase 14 anos.

Ele já participava há alguns de treinos da seleção e jogos de algumas etapas da Liga Mundial. Agora, foi mantido no grupo para o Mundial não só pela altura e capacidade nos bloqueios, mas também por sua versatilidade. Ele atuava originalmente como oposto, mas vem sendo uma aposta de Bernardinho para a função de central.

"Sou originalmente oposto, mas o Bernardinho tem me treinado como central e tenho me esforçado. É diferente, mas tenho me adaptado bem. Estou no meu terceiro ano com eles, e todos que entram querem ajudar. Os mais experientes têm nos ajudado também, cuidando da gente", falou.

Único remanescente do Mundial de 2006 e o mais experiente em participações no grupo, Murilo demonstra otimismo para o Mundial e o futuro e é só elogios quando vê dentro do grupo os jogadores que são vistoso como futuro.

"Temos visto uma boa postura do Lucarelli e dos outros jovens. Não temos tido de problema. Eles fazem parte de um grupo que está sendo preparado para 2015 e depois para futuras competições. Vamos precisar de jogadores preparados para assumir esse posto", falou o ponteiro.

Um eventual título mundial na Polônia será o quarto seguido do Brasil, fato inédito na história da competição. As dificuldades, no entanto, devem ser maiores. Mesmo com a hegemonia dos últimos 13 anos, o Brasil viu a ascensão de seus principais adversários, sobretudo Estados Unidos, Rússia e Itália, e do Mundial de 2010 pra cá só venceu uma Copa do Mundo.

"Hoje está tudo muito equilibrado. Em 2010, por exemplo, tivemos um jogo duríssimo e quase perdemos para a República Tcheca (vitória por 3 a 2). Todos os jogos são difíceis, não tem mais bobos no vôlei. Olha só o exemplo do Irã (quarto colocado na Liga Mundial)", falou Lucão.

O Brasil faz parte do Grupo B, com Alemanha, Cuba, Finlândia, Coreia do Sul e Tunísia. Os quatro primeiros colocados avançam para a segunda fase. 
José Ricardo Leite
Katowice (Polônia)

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