19 de set de 2014

Torcedora teve drama com câncer e virou "viciada" no Brasil graças ao vôlei


Polonesa viaja 9 horas e é apaixonada pelo time de vôlei do Brasil

Gratidão e amor pelo que gosta são coisas levadas muito a sério por Hanna Rafinska, uma aposentada polonesa de 55 anos que vive em Bydgoszcz e é apaixonada pela seleção brasileira. Só que não é a de futebol, a mais conhecida do mundo entre as equipes do país, mas sim a de vôlei.

"Até conheço o Neymar e a seleção, gosto dele. Mas meu negócio é a de voleibol. Amo Giba, Bruno, Bernardo e todo o time atual. É muito importante pra mim estar aqui", descreveu ao acompanhar a rodada dupla do último final de semana.

Hanna viajou nove horas de trem de sua cidade natal, Bydgoszcz, para acompanhar o time de Bernardinho jogar o Mundial em Katowice. E não foi apenas uma vez. Fez isso dois finais de semana seguidos e gastou não só com trem, mas também com hotel.
A polonesa é do tipo que faria de tudo para nascer no Brasil. Ela criou tanta identificação com o país que fica irritada se alguém falar mal do Brasil.

Nos jogos do Mundial de vôlei, Hanna fica sozinha na arquibancada junto de uma mochila, com cara pintada, a camisa do ponteiro Giba, bandeira do Brasil e um bicho de pelúcia que apelidou de "o brasileiro". Parece ter a energia de uma adolescente para incentivar a equipe de Bernardinho o tempo inteiro. Grita o nome de todos os que vão sacar sem dar sossego a quem estiver por perto na arquibancada.

Se alguém fizer cara feia, não tem problema. Não dá bola, já que companheiros mesmos são todos os objetos verde e amarelo que carrega na mochila e os jogadores da seleção.

Fã de vôlei desde sua adolescência, ela conta que a paixão pelo time verde e amarelo começou por ter sido muito bem tratada há muitos anos, quando a equipe de Bernardinho foi jogar em sua cidade uma etapa da Liga Mundial. Foi lá que ganhou a camisa de Giba e que se sensibilizou com o carinho dos jogadores. Desde então, sempre que o Brasil vai até a Polônia ela vai aos jogos, seja em qual cidade for, e tenta contato com eles nos hotéis, pega autógrafos e tira fotos.


"Por quê sou tão apaixonada assim pelo Brasil? Porque vocês são pessoas alegres e que me encantaram. Sorridentes e muito dispostos a ajudar todo mundo e com bastante atenção. Toda vez que procuro os jogadores sou muito bem recebida e adoro todos eles", falou.

"Eu amo os jogadores do Brasil, são todos muito amáveis, amigáveis e receptivos. Eles estão sempre alegres e dispostos a receber não só a mim, mas todas as pessoas, dar autógrafos e tirar fotos. Bernardo, Bruno, Raphael, Vissotto, todos me tratam bem, e tem o Giba, que pra mim é inesquecível. Eles são queridos por muita gente no mundo todo. Todas as vezes que os procuro eles me recebem muito bem, o povo brasileiros é muito especial", continuou.

Rafinska passou a viver sozinha há um mês depois que sua única filha se casou. Trabalhava com topografia, mas parou de exercer a profissão em 2000 e foi aposentada por invalidez em função de um câncer que limitou movimentos na sua perna. Diz que apesar de sempre ter gostado de vôlei há muito tempo, o apego ao esporte ajudou ainda mais em toda essa questão.

"Eu sempre gostei de esportes, mas isso acabou me fazendo me apegar ainda mais ao vôlei. Foi uma grande ajuda na minha questão psicológica. Isso me ajudou muito nisso aqui", falava ao apontar os dedos para a cabeça.

A talismã da seleção brasileira, no entanto, pode ser desfalque para a semifinal e final. O único momento em que tira o sorriso do rosto e demonstra abatimento é quando conta que não conseguiu ingressos para as partidas decisivas do campeonato.

Mas isso não fará com que ela fique. No próximo final de semana ela pegará novamente o trem para viajar mais nove horas. "Vou ver se consigo o ingresso na hora. E o Bruno (capitão brasileiro) me prometeu uma camisa caso o time chegue até lá", finalizou, já animada novamente.
Por Ricardo Leite-Uol

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