7 de ago de 2012

Brasil despacha a Russia da arrogante Gamova e vai para semifinal

A seleção feminina de vôlei finalmente espantou o velho fantasma da Rússia. Em sua melhor partida no torneio até agora, o Brasil, atual campeão olímpico, venceu por 3 sets a 2, eliminou sua velha carrasca e está na semifinal em Londres, por 24-26, 25-22, 19-25, 25-22, 21-19, depois de salvar seis match points. A vitória em Londres espanta a lembrança dos fracassos contra a Rússia de Sokolova e Gamova em 2004, na semifinal dos Jogos de Atenas, e nos Mundiais de 2006 e 2010, quando as brasileiras perderam para as europeias na final. Agora, o sonho do bi olímpico segue vivo, e o vôlei feminino vai disputar uma vaga na final mais uma vez, como tem acontecido desde 1988. Desde então, as meninas do vôlei ficaram em quarto lugar duas vezes (1992 e 2004), foram bronze outras duas (1996 e 2000) e levaram o ouro em Pequim. Agora, brigarão por uma vaga na decisão com o Japão, que eliminou a China no jogo anterior. Além da conquista da vaga, o Brasil sai empolgado por ter eliminado uma rival de peso com sua melhor atuação dos últimos meses, apagando o péssimo começo de Olimpíadas. Depois de uma primeira fase turbulenta, em que quase foi eliminado, o Brasil jogou de igual para igual com a Rússia na maior parte do jogo. Bem no bloqueio e na defesa, o time segurou relativamente bem as gigantes Goncharova e Gamova, foi preciso no ataque se manteve ligado em quase todo o jogo. O primeiro set foi muito disputado, com os dois times se apresentando bem. O Brasil acertava no ataque como nunca, com Dani Lins distribuindo muito bem o jogo entre suas atacantes, sem que nenhuma ficasse sobrecarregada. Quando era Rússia que pressionava, o sistema de bloqueio de defesa reagiu bem às gigantes rivais, amortecendo bem e se esforçando demais na recepção. Mesmo assim, deu Rússia. Ponto a ponto, as europeias chegaram à frente no fim da parcial. No 23 a 23, uma furada de Thaisa deu a vantagem para as russas, que suaram, mas fizeram 26 a 24 em um ataque de Sheila para fora.
O revés momentâneo não abalou o Brasil, que mostrou uma forçam mental inédita até então em Londres. De novo com o bloqueio e a defesa funcionando bem, a equipe abriu 12 a 7 no começo do segundo set e levou a vantagem adiante, com alguns momentos de instabilidade nos pontos finais, mas que não impediram a vitória por 25 a 22.
No terceiro set, no entanto, a coisa desandou. As russas cresceram, o bloqueio parou de funcionar tão bem e o ataque deixou de ser tão preciso. No saque de Gamova, a Rússia abriu 14 a 11 e administrou a vantagem contra uma equipe já um pouco desconcentrada. Com Paula Pequeno em quadra no lugar de Fernanda Garay e errando bastante, o Brasil perdeu por 25 a 19 e a pressão tornou-se ainda maior.
Experiente, a Rússia começou o quarto set com tudo e ameaçou abrir vantagem. Foi aí que a torcida, que nem lotou o ginásio em Earl’s Court, sede do vôlei em Londres, acordou. Ao som do coro de que “o campeão voltou”, orquestrado pelas jogadoras que estavam no banco de reservas, o time levantou junto, recuperou-se e passou à frente no marcador.
Sempre com o apoio das arquibancadas, a seleção seguiu bem, aproveitou-se dos poucos erros da europeia e chegou a abrir 19 a 16, mas um erro de saque de Fabiana e a insistência com Sheilla do fundo da quadra deixaram a Rússia encostar. Só que o Brasil mostrou, de novo, controle emocional, voltou a jogar e fechou em 25 a 22.
No tie-break, sob tensão total, o Brasil começou na frente. Os dois pontos de vantagem logo de cara deram segurança às jogadoras, que se não foram brilhantes também não vacilaram. Com Sheilla especialmente inspirada, a seleção trocou pontos até a decisão do set, quando venceu de forma emocionante. Um erro de arbitragem claro em um ataque de Sheilla mexeu com o time. A Rússia encostou, passou e teve seis match points, até que o Brasil reagiu e venceu por 21 a 19, após um belo saque de Fernanda Garay e a confirmação da vitória em ataque de Fabiana.

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