7 de ago de 2012

Trajetória meteórica leva Arthur Zanetti do anonimato ao topo da ginástica em um ano

Na última década, o Brasil torceu por Daniele e Diego Hypolito, Daiane dos Santos ou Jade Barbosa. Atletas que deram esperança ao público em um esporte pouco popular no país.
Foram conquistas de Copa do Mundo, Pan-Americanos e Mundiais. Mas que nunca se transformaram em glórias olímpicas.
Até esta segunda.
Um ano após aparecer com destaque pela primeira vez na carreira, Arthur Zanetti coroou sua carreira meteórica com uma medalha olímpica, de ouro, maior feito da ginástica brasileira na história.
A vitória dá ao paulista de São Caetano do Sul exatamente aquilo que faltou aos seus antecessores. Daniele Hypolito foi a primeira a conseguir resultados internacionais.
Daiane adicionou carisma ao esporte, tornou-se uma das atletas mais queridas no Brasil e conquistou o primeiro Mundial. Mas falhou em Atenas, em 2004, quando era favorita.
Diego Hypolito foi quem mais conseguiu resultados ao longos dos anos. Bicampeão mundial, tricampeão da Copa do Mundo, foi a Pequim, em 2008, mas deixou a medalha escapar por um tombo marcante.
Jade Barbosa, a grande promessa da ginástica desde 2007, esbarrou em lesões e problemas fora do ginásio. Dois bronzes em campeonatos mundial são as únicas testemunhas de seu potencial.
Arthur foi diferente. Seu primeiro grande resultado na seleção adulta de ginástica foi em 2009, na mesma North Greenwich Arena que nesta segunda o colocou no topo do pódio olímpico. Naquela ocasião, foi quarto colocado na prova das argolas do Mundial de Ginástica de Londres.
Dois anos depois, no entanto, ele iria mais longe.
Em Tóquio, em 2011, foi medalha de prata no Mundial, uma semana antes de ir a Guadalajara ajudar a equipe masculina a conquistar um inédito ouro por equipes.
Zanetti entrava, de vez, no rol de atletas brasileiros candidatos a medalha em Londres.
Para saltar da prata para o lugar mais alto do pódio, precisava aumentar a dificuldade de sua série e se aproximar do chinês Chen Yibing, campeão mundial, seu grande rival no aparelho e vice-campeão olímpico.
No começo de junho, deu uma mostra de que já estava perto. Em uma etapa da Copa do Mundo de Ghent, na Bélgica, Arthur foi campeão recebendo uma nota 15.925, a maior de sua carreira, que lhe colocava em condições de ganhar as Olimpíadas. Nesta segunda-feira, 15.900 bastaram para o ouro.
Apesar de não ter subido ao pódio, o russo Aleksandr Baladin celebrou a vitória de Arthur Zanetti na final masculina das argolas nesta segunda-feira em Londres. O brasileiro bateu o favorito chinês Yibing Chen e conquistou o ouro, a primeira medalha da história do Brasil na ginástica artística em Jogos Olímpicos.
"Eu fico feliz que alguém tenha finalmente superado os atletas chineses, por isso estou bastante feliz pelo [ouro do] campeão brasileiro, ele mereceu a vitória", afirmou o russo, que ficou na quarta colocação nessa final olímpica.
O atleta da Rússia também comentou sua performance na final em Londres.
"Eu acho que eu fui muito bem. Eu fiz tudo o que pude. Não estava nervoso, apenas não deu certo no final"
, justificou o russo, que disputa pela primeira vez uma Olimpíada.
"Eu esperava a medalha, mas quando vi a pontuação do italiano (Matteo Morandi), eu percebi que não iria conseguir uma medalha. Mesmo que o italiano cometesse um erro, ele ainda tinha uma grande pontuação", finalizou.
Chinês fica surpreso
Se a medalha de ouro de Arthur Zanetti foi comemorada até por rivais, a prata de Yibing Chen foi recebida pelo chinês com surpresa. O asiático aprovou a série do brasileiro, mas admitiu ter pensado que não perderia o lugar mais alto do pódio.
"Eu fiquei um pouco surpreso. Quando ele não aterrissou perfeitamente [Zanetti deu um passo para trás na saída], eu achei que tivesse vencido. Mas quando o resultado saiu, o vencedor era ele", declarou Chen, que após a prova anunciou sua aposentadoria. "Mas mesmo assim eu devo parabenizá-lo. Eu realmente dei meu máximo hoje"
.

06/08/2012 - 10h51 | Gustavo Franceschini Do UOL, em Londres

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