1 de ago de 2012

Russa Sokolova do volei com selicone em Londres

Liubov Sokolova é tida por quem entende de vôlei como a grande arma da Rússia, uma das seleções que mais ameaça o Brasil em Londres. A ponteira, no entanto, ignora o histórico positivo e diz que não quer encarar a equipe de José Roberto Guimarães, a quem rasga elogios. O técnico brasileiro, por sua vez, lamenta que ela não tenha mantido sua decisão de desistir dos Jogos Olímpicos, que parecia tão certa que ela até colocou silicone nos seios há dois meses.
“Eu até brinquei com ela, que agora ela não vai conseguir fazer mais manchete [faz o gesto característico dos braços], e ela respondeu brincando que agora vai fazer com o braço e o peito”, disse José Roberto Guimarães, bem-humorado, logo após a derrota do Brasil diante dos Estados Unidos, por 3 a 1, nesta segunda.
Os dois se conheceram há dois anos, quando o brasileiro foi treinar o Fenerbahce, na Turquia. A parceria levou a equipe a vencer a Liga dos Campeões deste ano, feito inédito em sua história. Sokolova fala com saudade da conquista.
“O Zé é o melhor técnico, uma grande pessoa. Nos demos muito bem. No primeiro foi mais difícil da gente se entender, mas depois tivemos uma segunda temporada perfeita”, disse Sokolova. “Foi uma convivência ótima, ela me contou toda a história dela, que ela passou por vários casamentos, que o filho dela chama Daniel”, disse Zé Roberto Guimarães.
THAISA TAMBÉM PÔS SILICONE
Silicone nos seios não é algo incomum no vôlei. A seleção brasileira, por exemplo, tem uma adepta da cirurgia plástica. Thaisa fez a operação em 2009 e diz não ter tido problemas para se acostumar em quadra. “Eu era uma vareta. Quando você se sente mal. Não tem nada melhor do que se sentir bonita e feliz”, disse a central ao UOL Esporte em 2010.
O garoto é um dos motivos pelo qual a Olimpíada de Sokolova esteve ameaçada. A ponteira, considerada uma das jogadoras mais completas do vôlei, chegou a perder o Pré-Olímpico mundial, disputado no Japão, em maio. Em cima da hora, no entanto, a federação de seu país conseguiu convencê-la a ir a Londres.
“É difícil de explicar, mas é que todo mundo tem um período da vida em que fica em dúvida sobre algumas coisas e eu estava assim, mas isso passou. Mudei minha cabeça e agora quero ajudar minha equipe, defender meu país e buscar o ouro que eu não tenho”, disse a jogadora, que foi prata em Sydney, em 2000, e em Atenas, em 2004, e não quis entrar em detalhes sobre os motivos de sua indecisão, embora a imprensa russa tenha publicado que ela queria passar mais tempo com o filho.
A ausência de uma medalha, aliás, era uma brincadeira constante com o técnico, que fazia uma “proposta indecente” à atleta. “Ele sempre falava: ‘Não vai não, você já tem dois ouros em Mundiais’. E eu respondia que era só essa conquista que me falta, e que ele já tem duas. Se ele quisesse, podia dar minhas medalhas pelos dois ouros olímpicos que ele tem”, disse Sokolova, campeã mundial em 2006 e 2010, sobre os títulos de José Roberto nos Jogos em 1992, com o time masculino do Brasil, e 2008.
O histórico mostra que, para a seleção verde-amarela, é melhor ficar longe da Rússia. Com Sokolova e a oposta Gamova como destaques, a equipe bateu o Brasil de forma dramática há oito anos, na semifinal de Atenas. Em 2010, novo revés duro, desta vez na final do Mundial disputado no Japão. Mesmo assim, ela também quer evitar o confronto.
“A primeira coisa que vem à cabeça quando eu penso no Brasil é a palavra ‘final’. E todas as vezes a gente ganha delas, mas agora eu não quero encontra-las não”, concluiu.

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